segunda-feira, 28 de março de 2011

Geração à Rasca - A Nossa Culpa (por Mia Couto)

Um dia, isto tinha de acontecer. Existe uma geração à rasca? Existe mais do que uma! Certamente! Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida. Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações. A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos. Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor. Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada. Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes. Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou. Foi então que os pais ficaram à rasca. Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado. Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais. São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração. São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar! A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas. Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados. Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional. Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere. Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio. Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração? Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos! Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós). Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!Novos e velhos, todos estamos à rasca. Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens. Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la. Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam. Haverá mais triste prova do nosso falhanço? Pode ser que tudo isto não passe de alarmismo, de um exagero meu, de uma generalização injusta.

Pode ser que nada/ninguém seja assim.


(Recebido por e-mail)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Aqui estou outra vez...

Olá Amigos(as),

Após alguns meses de ausência, aqui estou outra vez.
Hoje estou melancólica. Não sei porquê. Se é do tempo, se é de mim, se é por causa das incertezas que me assolam frequentemente. Incertezas da minha vida, do meu futuro, dos meus...passo o dia a correr. Não a correr frenéticamente para um lado e para o outro, mas a correr mentalmente. Levantar cedo, já a pensar no que tenho para fazer quando chegar logo à noite a casa depois de mais um dia de trabalho cansativo. Á noite sempre a mesma rotina, fazer jantar, conseguir que o filhote coma alguma coisa de jeito (porque a comida em casa deve ter um sabor diferente que a do infantário!), pôr roupa a lavar, passar a ferro, preparar as coisas para o dia seguinte, dar de comer aos gatos sem dono que vejo por lá, etc, etc. Sei que existem milhares de mulheres como eu e se calhar a fazer mais do que eu. Mas sinto-me cansada. Pergunto-me muitas vezes: será que vale a pena andarmos a correr? Talvez não...não sei...
Estamos a chegar ao final do ano e, se fizer um balanço de 2010, acho que foi mais negativo do que positivo. O meu pai ainda não recuperou completamente da neoplasia que teve, a minha vizinha tem cancro da mama, o meu "Zequinha" partiu (tenho saudades daquele peludinho que me esperava sempre que eu chegava a casa), a "branquinha" e a filhota desapareceram. Embora eu queira acreditar que alguem as possa ter acolhido, a realidade será bem mais dura...
Espero que 2011 seja melhor (eu sei, vocês devem estar a pensar: olha esta não deve ver notícias! Então com o IVA a aumentar para 23% e já para não falar das restantes medidas de "austeridade" ainda pensa que 2011 vai ser melhor! Está bem, está!)
Deixem lá, sonhar de vez em quando também faz bem.
Beijocas e um bom fim-de-semana

segunda-feira, 14 de junho de 2010

PARECE IMPOSSÍVEL!!!

Na passada 6ªfeira fui, como habitual, buscar a minha amiga G. ao escritório onde trabalha. Enquanto estava à espera, decidi levar um saco do lixo para o contentor do outro lado da estrada. Quando vou a abrir a tampa, gelei...no fundo do contentor estava dois olhitos verdes a olhar para cima, aterrorizados. Dois gatinhos, talvez com 1 mês, um já estava morto o outro, como disse, aterrorizado. Chamei uma colega que me ajudou a tombar o contentor para tirar o pobre bichinho lá do fundo. Muito magrinho, cheio de medo, coloquei-o dentro de uma caixa de cartão e agora o que fazer? Não podia ficar com ele porque o meu cão não suporta gatos, pequenino como era não podia tratar dele como devia ser, uma vez que saio de manhã e só volto a entrar em casa ao fim do dia e aos fins-de-semana nunca estamos. Liguei para uma amiga que tem um coração do tamanho do universo (ela e o marido) e passada uma hora lá apareceram para levar o bichinho. Ele estava esganado com fome. Não sei há quanto tempo estaria no contentor...e eu penso: como é possível alguém deitar dois seres vivos para o lixo? Bem, pensando melhor, quando há bébés, fetos humanos encontrados no lixo, enterrados, etc... não sei porque é que esta atitude me surpreende. Confirmo é a cada dia que passa que vivemos num mundo onde os valores morais já não existem, onde não há respeito por outras formas de vida, resumindo: vivemos num mundo podre. O único ânimo é que ainda existe uma pequena minoria de seres humanos que dão tudo de si para ajudar os mais indefesos, refiro-me concretamente aos animais que dependem de nós. Para todas essas pessoas vai a minha admiração e respeito e peço a Deus que as recompense de alguma forma pelo esforço e carinho que investem diariamente nesta luta. Um Bem-Hajam.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

I AM HAPPY!!!

Olá, Olá,Olá! Após mais de um ano com o coração apertadinho por temer pelo bem-estar do meu paizão, eis que hoje recebo um telefonema da minha mãe, a fungar (pensei logo no pior, pois claro): "Está tudo bem com vocês?" Snif. E eu:"Tá. E por aí? (com um nó na garganta)"."Também." Eu:"Então porque estás a chorar? Como está o meu pai?" Mãe:"Estão a tirar-lhe sangue para análise. Mas já fez a ressonância, e a médica disse que a TAC e a ressonância estão impecáveis. Está tudo muito bem. Tem é que vir ao hospital de 3 em 3 meses fazer exames de rotina."
Estou feliz! Depois de uma colonoscopia, do diagnóstico de cancro colo-rectal (balde de água fria), da cirurgia, radioterapia e quimio, até que enfim uma notícia para nos deixar mais felizes. Claro que o meu pai terá que ter alguns cuidados redobrados no que diz respeit aos hábitos alimentares, etc., mas para já podemos respirar de alívio.
O meu pensamento e abraço vai para todos aqueles que passaram ou estão a passar por um momento idêntico. Não pensem logo no pior. Não desvalorizem qualquer sintoma anormal de saúde. Tentem agarrar-se ás coisas boas que esta vida nos proprciona. Tenho a certeza de que o meu pai vai disfrutar com maior intensidade a nossa companhia, principalmente do netito.
Já dizia o outro "CARPE DIEM!"
Beijos, abraços e tudo e tudo e tudo.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

PARABÉNS FILHO!

O meu filhote faz hoje 3 aninhos. Parabéns! És o bem mais precioso que tenho. Amo-te muito.


terça-feira, 11 de maio de 2010

ESCÂNDALO NO SANTUÁRIO DE FÁTIMA

O ESCANDALO do Santuário de Fátima em relação ao abate de animais é conhecido de muitos, mas ninguêm ainda conseguiu parar esta crueldade. As ordens partem da Reitoria do Santuário, para que todos os cães que aparecem por Fátima, quer sejam adultos ou cachorros, quer tenham donos ou não, são capturados pelos seguranças e colocados na caixa que apresentamos em foto. Esta caixa está mesmo nas traseiras do santuário, no local das oficinas. Ali ficam os cães durante algumas semanas, ao frio e á chuva de Inverno, á chapa do sol, no Verão. Sem direito a comida ou água, num espaço minimo onde a maioria nem se consegue colocar de pé...Existem alguns seguranças que não levam os cães capturados para este local, conseguem levar alguns para casa e adoptam-nos ou arranjam donos entre os seus vizinhos ou cologas de trabalho. Boa gente esta que sofre em ver os animais assim tratados, mas que se sente impotente com a ameaça de perderem os seus empregos. Mas existem também dois seguranças, que violentam cruelmente os cães, com foiçes de podar oliveiras, dando com elas nas pernas dos cães que ficam em carne viva, a sangrar e com grandes cortes estremamente dolorosos e muitas vezes as pernas partidas. Esses cães são posteriormente levados, para esta caixa, permanecendo até que a carrinha da Camara de Ourem tenha tempo para os vir buscar. Lá, são colocados, já muito debilitados, para abate, e são-no todos num prazo de poucos dias.Quem nos informou, disse-nos também, que os cães que lá estão, vivem os poucos dias que lhes resta em condições extremamente miseráveis. A Camara Municipal de Ourém tem prometida (á demasiado tempo) a construção de um canil para recolher animais abandonados e o não abate de animais, mas como não existe interesse da Camara nem pressão suficiente pela parte de quem abomina esta situação, para a construção do dito canil de protecção de animais perto de Fátima, vai adiando e esqueçendo esta promessa e vai gastando a verba que já tinha disponivel para esta construção em outras obras que lhes dão mais votos aquando das autarquicas. A FAA soube também que existe um engenheiro que reporta directamente á reitoria do santuário, que deixa veneno (de acção ultra rápida) para matar alguns cães mais dificeis de apanhar...Não conseguimos ter acesso ao seu nome, mas sabemos que existe apenas um engenheiro com funções ligadas á área verde que circunda o santuário.Mais grave a situação se torna de algum tempo para cá, que os cães depois de serem colocados na caixa, desaparecem antes que a carrinha da Camara os venha buscar, ou tenha conhecimento que eles lá estão. Pensamos que são abatidos por alguns trabalhadores do santuário, porque os cães ladram á noite e podem incomodar os turistas, ou podem levantar suspeitas de maus tratos contra os animais prepertados num local "sagrado". Não sabemos quantos animais foram mortos com a chegada do 13 de Maio e com a vinda do actual representante da Igreja Católica a Fátima, mas acreditamos que quem lá for, não vê nenhum cão, porque as ruas foram limpas, tal como é sempre feito com uma regularidade impressionante. Esta é uma situação abominável, pela parte de quem se diz representante de Deus, não é compreensivel tamanha crueldade num espaço que querem fazer sagrado e que eles próprios profanam e o sujam de morte e sangue. Deixamos aqui o contacto do Santuário, para quem quiser mostrar a sua indignação perante esta monstruosa atitude.
Peçam para encaminhar a vossa chamada para a reitoria: 249 539 600
Deixamos também os contactos de email: http://www.santuario-fatima.pt/portal/
A Frente de Acção Animal agradece a todos, e todos juntos vamos conseguir acabar com este crime para com os animais.

CARTAZ PERFEITO!

VAMOS DIVULGAR




segunda-feira, 10 de maio de 2010

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Adeus, Zequinha, até qualquer dia...

Este é o Zequinha quando apareceu à nossa porta. De uma meiguice extrema e de uma simpatia enorme. Fui-lhe dando comida e água, sempre a pensar que um dia ele iria desaparecer como tem acontecido aos outros animais abandonados que vamos encontrando, melhor dizendo, que nos encontram. Mas o Zequinha foi ficando, dia após dia, semana após semana. Fomo-nos afeiçoando a ele cada vez mais. Já começava a fazer parte da família e até o Kiko (raferito adoptadoda rua mas muito possessivo e ciumento) o aceitou bem.


O Zequinha de vez em quando ia ás escondidas até à sala e ninguém tinha coragem de o por fora. Lá ficava deitado no tapete a dormir ou a rebolar-se todo satisfeito.


Na passada 5ªfeira achei-o murchito, mas..nãofiquei muito preocupada. Na 6ªfeira pior ainda. Não se levantou, muito prostrado e com vómitos. Agarrei nele a correr e levei-o à clinica veterinária. Ficou internado, a soro. No Sábado fui vê-lo e parecia melhorzito. Na 2ªfeira quando fui para buscá-lo, gelei quando a vet me diz que ele tinha piorado e o quadro não era bom. Liquido (urina) no abdomen, liquido nos pulmões, um sopro cardíaco, e os valores do figado e do pancreas muito alterados. Já para não falar de um chumbo que ele tinha... Conclusão, ficou mais uma noite e ontem recebo um telefonema da Dra a dizer que o Zequinha tinha passado muito mal e que não havia melhoras em vista. Comecei a preparar-me para o pior...nao queriamos o Zequinha sofrer...se uma cicurgia o salvasse tudo bem., mas não havia garantias e também não o queria fazer sofrer mais. Às 19h fui vê-lo, estive 30 min. a despedir-me dele e a chorar compulsivamente. Dei autorização para que fosse feita uma autópsia no final da eutanásia. Tinha/Tenho que saber o porquê dele ter adoecido tão de repente e com tamanha gravidade.

O Zequinha agora está lá em cima a olhar por nós e sei que um dia nos havemos de voltar a encontrar...para lá da ponte do arco-íris.

Até qualquer dia fofinho!












sexta-feira, 16 de abril de 2010

Yannick Djaló entrega os seus 2 cães no Canil Municipal da Moita

Recebi este mail através do "Grupo Animais em Portugal" e aqui estou a divulgá-lo. É impressionante que, quanto maior são as possibilidades financeiras, menor é a condição moral. Uma figura conhecida como ele e a ter uma atitude tão baixa. Não me digam que ele ou alguém pago por ele, não podia cuidar dos animais? É esse o exemplo de educação e civismo que ele transmite ás pessoas e sobretudo ás crianças? É revoltante....
Exmos Srs

Segue em anexo um comunicado de imprensa da presidente da direcção da AAAAM - Associação dos Amigos dos Animais Abandonados da Moita, no seguimento do episódio de hoje que envolve o jogador Yannick Djaló e o Canil Municipal da Moita.

Agradecemos a sua divulgação nos meios de comunicação social.

Sem outro assunto, subscrevo-me.

Atenciosamente,

Rita Lima
Secretária da Mesa da Assembleia
Voluntária

AAAAM - Associação dos Amigos dos Animais Abandonados da Moita

COMUNICADO DE IMPRENSA – DESMENTIDO

Durante todo o dia de hoje a Presidente da Direcção da AAAAM (Associação dos Amigos dos Animais Abandonados da Moita), Isabel Lopes, tem sido alvo de diversos telefonemas da comunicação social sobre o seguinte assunto:

Terá o jogador de futebol Yannick Djaló entregue dois cães das raças Rotweiller e PitBull no Canil Municipal da Moita por razões que desconhecemos.

Terá ainda sido divulgado que os animais em questão terão sido entregues na AAAAM, facto esse que desmentimos de imediato.
Os animais encontram-se sim, no Canil Municipal da Moita, à responsabilidade do Médico Veterinário Municipal, Dr. Semião.
A AAAAM é uma associação particular sem fins lucrativos que acolhe animais abandonados, errantes ou em risco de vida e jamais se iria associar a este tipo de comportamento.

A AAAAM é alheia a toda esta situação e, por motivos que desconhece, viu-se envolvida em toda esta questão pelo que vimos repor a verdade.

Agradecemos a divulgação.

Isabel Lopes
Presidente da Direcção
AAAAM
Notícia relacionada também aqui: http://www.anda.jor.br/?p=57131

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Carta ao Director do "Público" sobre a mentira acerca da Marcha pelos Animais de 10 de Abril

Caras Amigas e Amigos

Dou-vos conhecimento da carta que acabei de enviar ao Director do "Público", sobre a mentira acerca da Marcha pelos Animais de ontem, 10 de Abril, vergonhosamente extensiva a todos os órgãos de comunicação social.

É bem vinda a sua divulgação, por todos os meios que julgarem convenientes, em abono da verdade.

Saudações amigas

Paulo Borges
....

Exmº Sr. Director

Tinha 14 anos em 25 de Abril de 1974 e saí à rua com o mesmo entusiasmo de milhões de portugueses para saudar a restauração das liberdades fundamentais dos cidadãos, entre as quais a liberdade de imprensa. Depois disso desiludi-me com a política convencional, a meu ver demasiado estreita, e dediquei-me sobretudo à docência universitária. Há cerca de um ano faço parte da Comissão Coordenadora do Partido Pelos Animais e foi nessa qualidade que apoiei a Marcha pelos Animais, em 10 de Abril, e que fui entrevistado pelo vosso jornal. Lendo a afirmação do jornalista de que "centenas" de pessoas estiveram presentes, não posso reprimir a minha indignação: como podem "centenas" de pessoas, em filas de cerca de dez, encher completamente o percurso do Saldanha ao Marquês de Pombal, dar a volta a esta Praça e entrar ainda na Rua Braancamp, como muitas fotos e videos documentam? Como pode alguém reduzir a "centenas" as 3000 pessoas que, no mínimo, estiveram presentes?

A minha indignação é tanto maior quando vejo o "Público", cuja qualidade prezo, fazer coro com outros jornais de qualidade muito inferior e ficar atrás dos canais televisivos, que deturparam ligeiramente menos a realidade, falando de "mil" pessoas...

Compreende-se que os órgãos de comunicação social não estejam interessados nos animais, que felizmente não lêem jornais nem vêem televisão, como se compreende que o poder e as forças políticas não se interessem por quem não vota e é apenas vítima passiva e silenciosa de todo o tipo de maus-tratos e abusos. Não se compreende é que os media tenham o despudor de insultar com tamanha mentira o crescente número de cidadãos que se erguem para dar voz a quem não a tem e que colocam a defesa dos direitos dos animais como condição para uma sociedade humana melhor e mais evoluída. Assim o comprova, além dos milhares de pessoas que saíram à rua no dia 10 de Abril, a recente entrega de uma petição contra a criação de uma secção de tauromaquia no Conselho Nacional de Cultura, de que sou primeiro subscritor, e que obteve 8200 assinaturas em menos de dois meses.

Sinceramente, Sr. Director, não foi para isto que a liberdade de imprensa foi restaurada em Portugal! Tenho hoje 50 anos e sinto o meu entusiasmo adolescente traído por ver a liberdade de imprensa convertida em liberdade de manipular a opinião pública. Não esperava era ver o "Público" ir tão despudoradamente neste rumo...
Paulo Borges(Professor na Universidade de Lisboa)

(Mail recebido através do Grupo Animais em Portugal)

terça-feira, 13 de abril de 2010

O que pensa um toiro na arena?

O que pensa um toiro na arena?
Em Portugal as touradas continuam a atrair milhares. Há quem aprecie e quem abomine. Interessava saber o que pensam os toiros disto tudo. Mas infelizmente a voz do toiro nunca poderá ser escutada.

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)

Sábado, 10 de Abril de 2010

"O que é que este senhor quer? Anda por aqui a passear-se no cavalo armado em bom e volta e meio vem espetar-me um ferro no lombo. Deve pensar que isto é um restaurante de rodízio à brasileira. Ó amigo isto aqui não é o Gauchão e eu não sou o prato do dia. Seja lá homem e desça daí, vamos tomar um copo e conversamos sobre o assunto..."
"Acho piada quando os aficionados dizem que amam os toiros. Estranha forma de amar. Porque é que não vais fazer isto aos perdigueiros que tens lá em casa? Cria-los, ama-los muito, e depois um dia leva-los até ao Campo Pequeno, convidas os teus amigos e passam a tarde a espetar-lhe ferros nas costas. Pois mas isso já não porque se trata de animais de estimação e tal. E é crime ainda por cima. A velha e gasta teoria de alguns de que podemos maltratar os animais desde que eles sejam criados para o efeito. Alguns até dizem que se não fosse as touradas os toiros bravos já nem existiam. Pois se o homem não existisse a estupidez também não mas assim torna-se difícil e temos de lidar com ela. E não sabia que o senhor Charles Darwin era criador de toiros"
"E são tão paternalistas...este toiro é muito nobre e tem personalidade e mais não sei o quê...deixa-me cá mas é atravessá-lo com uma espada e cortar-lhe uma orelha como fazem as tribos da amazónia que ainda vivem com uma parra a tapar as partes"
" E o homem da corneta? O que é aquilo? Não há por aí nenhuma alma caridosa que lhe pague o conservatório? Ou um sniper da Mossad com o ouvido mais sensível? Se me querem matar ao menos ponham Chopin ou Verdi"
"Pronto já cá faltava o grupinho de meninos armados em rebeldes enfiados em roupa de tamanho 2 números abaixo. E este da frente não se cala com o "é toiro, é toiro" Querias que fosse o quê? Uma perdiz? O que queres tu afinal? Um happy meal? Eu por tenho cara de funcionário do Macdonalds? Já viste algum a raspar com as patas no chão enquanto tira um Sundae de chocolate? E já agora não achas que já comias menos meu badocha? Aposto que há na plateia quem tenha dúvidas de que lado da arena é que está o touro. Eu peso 500 quilos mas tu também deves andar lá perto. Uma consulta no nutricionista e larga o porco preto que qualquer dia só enrolado num cortinado..."
As touradas continuam a fazer parte do quotidiano português. O espectáculo bárbaro de espetar farpas de vários tamanhos num animal parece agradar a muitos à boa maneira de Júlio César, que há quem diga que foi primeiro a lembrar-se de um "entretenimento" do género com o uso de toiros, entre outros igualmente grotescos. O Imperador Cláudio pôs em prática sacrificando-os na Arena. As tradições acabam. E as más devem ser eliminadas. Quando o homem não consegue ou quer o tempo encarregar-se-á de o fazer. Até lá sofre o toiro.
Em Portugal o Marquês de Pombal acabou com os toiros de morte e chegou a proibir as touradas aquando da morte de um nobre (homem entenda-se) na arena. Retomou-se a "tradição" algum tempo mais tarde. Infelizmente.
Fazer sofrer propositadamente uma animal até à sua morte para regozijo de meia dúzia não devia ser permitido em parte alguma. Muito menos num país civilizado.

terça-feira, 16 de março de 2010

TRAGAM ESTE HOMEM PARA PORTUGAL!!!

TRAGAM ESTE HOMEM PARA PORTUGAL URGENTEMENTE...!!!

Joe Arpaio é o xerife do Condado de Maricopa, no Arizona há já bastante tempo e continua sendo re-eleito a cada nova eleição. Ele criou a 'cadeia-acampamento', que são várias tendas de lona, cercadas por arame farpado e vigiado por guardas como numa prisão normal.







Baixou os custos da refeição para 40 centavos de dólar que os detidos, inclusivé, têm de pagar.


Proibiu fumar, não permite a circulação de revistas pornográficas dentro da prisão e nem permite que os detidos pratiquem halterofilismo.


Começou a montar equipas de detidos que, acorrentados uns aos outros (chain gangs), são levados à cidade para prestarem serviços para a comunidade e trabalhar nos projetos do condado. Para não ser processado por discriminação, começou a montar equipas de detidas também, nos mesmos moldes das equipas de detidos .


Cortou a TV por cabo aos detidos mas quando soube que TV por cabo nas prisões era uma determinação judicial, voltou a permitir mas só entra o canal do tempo e da Disney . Quando lhe perguntaram por que o canal do tempo, respondeu que era para os detidos saberem que temperatura iriam enfrentar durante o dia quando estivessem a prestar serviço comunitário, trabalhando nas estradas, construções, etc.


Em 1994, cortou o café , alegando que, para além do baixo valor nutritivo, estava a proteger os próprios detidos e os guardas que já haviam sido atacados com café quente por outros detidos, sem falar na economia dos cofres públicos de quase US$ 100.000,00/ano.


Quando os detidos reclamaram, ele respondeu: - Isto aqui não é um hotel 5 estrelas e se vocês não gostam, comportem-se como homens e não voltem mais.


Distribuiu uma série de vídeos religiosos aos prisioneiros e não permite qualquer outro tipo de vídeos na prisão. Perguntado se não teria alguns vídeos com o programa do partido democrata para distribuir aos detidos, respondeu que nem que tivesse, pois provavelmente essa era a causa de a maioria dos presos ali estarem.


Com a temperatura batendo recordes a cada semana, uma agência de notícias publicou: Com a temperatura atingindo 116 F , (47º C), em Phoenix no Arizona, mais de 2000 detidos na prisão-acampamento de Maricopa tiveram permissão de tirar o uniforme da prisão e ficar só de shorts (cor-de-rosa), que os detidos recebem do governo.


Na última quarta-feira, centenas de detidos estavam recolhidos nas barracas, onde a temperatura chegou a atingir os 138°F ( 60°C ). Muitos com toalhas cor de rosa enroladas no pescoço estavam completamente encharcados de suor. 'Parece que estávamos dentro de um forno', disse James Zanzot que cumpriu pena nessas tendas por um ano.

Joe Arpaio, o xerife durão que inventou a prisão-acampamento, faz com que os detidos usem uniformes cor-de-rosa e não faz questão alguma de parecer simpático. Diz ele aos detidos: - Os nossos soldados estão no Iraque, onde a temperatura atinge 120°F ( 50°C ), vivem em tendas como vocês e ainda tem de usar fardamento, botas, carregar todo o equipamento de soldado e, além de tudo, não cometeram crime algum como vocês, portanto, calem a boca e parem de reclamar!

Se houvesse mais prisões como esta, talvez o número de criminosos e reincidentes diminuísse consideravelmente.

Criminosos graves têm de ser punidos pelos crimes que cometeram e não serem tratados a 'pão-de-ló' , tendo do bom e do melhor, até serem soltos para voltar a cometer os mesmos crimes e voltar para a vida na prisão, cheia de regalias e reivindicações.

Muitos cidadãos honestos, cumpridores da lei e pagadores de impostos não têm, por vezes, as mesmas regalias que esses bandidos tem na prisão.


Artigo extraído e traduzido de um documentário da televisão americana. Os factos acima são verídicos e a prisão-acampamento está lá, em Maricopa, Arizona.


Recebido pelo grupo Animais em Portugal http://animaisemportugal.blogspot.com/






sexta-feira, 12 de março de 2010

VILA COVA DO ALVA

Quero partilhar esta bonita paisagens com todos vocês. O aglomerado de casas que se vê ao fundo, é Vila Cova do Alva, uma pequenina vila no distrito de Coimbra, concelho de Arganil. É o meu/nosso refúgio. É um sítio onde não se passa nada, mas mesmo nada. Posso dizer que a foto foi tirada de um terreno que pertence aos meus sogros e os vizinhos mais próximos que temos são um casal de Holandeses e um senhor de idade inglês. Cada vez que vamos à "Portela" (nome pelo qual o terreno está baptizado), recebemos a visita dos cães do pastor, dos gatos dos vizinhos, já para não falar no chilrear alegre de pardais, melros, etc. E ouve-se lá ao fundo o correr do rio Alva. Não há nada, mas mesmo nada que pague este contacto com a natureza. Se por acaso gostarem de turismo rural, contacto com a natureza, etc, e quiserem dar aqui uma espreitadela http://www.casadonamaria.nl/pt/vila-cova-de-alva , tenho a certeza que irão gostar.

Bom fim-de-semana para todos!

quarta-feira, 3 de março de 2010

ANIMAIS EM PORTUGAL

O melhor site para divulgar, adoptar, procurar e ajudar os nossos Animais!

http://animaisemportugal.blogspot.com

Artigo de: Paulo Varela Gomes (Historiador), “Cartas do Interior”, Público, 27.02.2010, P2, p.3.

domingo, 28 de Fevereiro de 2010

Morrer como um touro



In PÚBLICO

O Ministério da Cultura resolveu criar uma secção de tauromaquia no Conselho Nacional de Cultura a pretexto de que lidar touros seria uma tradição cultural portuguesa a preservar. Mas a tradição é mais antiga, do tempo em que humanos e animais lutavam na arena para excitar os nervos da multidão com o sangue e a morte anunciada. A piedade, que é um valor mais antigo do que Cristo, veio, na sua interpretação cristã, salvar disto os humanos. Esqueceu-se, porém, dos animais. Há um momento nas touradas em que o touro, muito ferido já pelas bandarilhas, o sangue a escorrer, cansado pelos cavalos e as capas, titubeia e parece ir desistir. Afasta-se para as tábuas. Cheira o céu. Vêm os homens e incitam-no. A multidão agita-se e delira com o sangue. O touro sabe que vai morrer. Só os imbecis podem pensar que os animais não sabem. Os empregados dos matadouros, profissionais da sensibilidade embaciada, conhecem o momento em que os animais “cheiram” a morte iminente. Por desespero, coragem ou raiva (não é o mesmo?), o touro arremete pela última vez. Em Espanha morre. Aqui, neste país de maricas, é levado lá para fora para, como é que se diz? ah sim: ser abatido. A multidão retira-se humanamente, portuguesmente, de barriga cheia de cultura portuguesa, na tradição milenar à qual nenhuma piedade chegou. Os toureiros têm pose que se fartam (e com a qual fartam toda a gente). Pose de hombre, pose de macho. Mas os riscos que de facto correm são infinitamente menores que a sorte que inevitavelmente espera os touros, que o sofrimento e a desorientação que infligem aos touros para o seu próprio prazer e o da multidão. Dá vontade de dizer que quem se porta assim, quem mostra orgulho de se portar assim, tem entre as pernas, e não apenas literalmente, órgãos bem mais pequenos que aqueles que os touros exibem. Os toureiros são corajosos mas entram na arena sabendo que haverá sempre quem os safe, senão à primeira colhida, então à segunda. Às vezes aleijam-se a sério e às vezes morrem, o que talvez prove que os deuses da Antiguidade são justos, vingativos e amigos de todos os animais por igual. Os touros, esses, não têm ninguém que os vá safar em situação de risco, estão absolutamente sós perante a morte. Querem os toureiros ser hombres até ao fim? Experimentem ser tão homens como eram os homens e os animais na Antiguidade: se ficarem no chão, fiquem no chão. Morram na arena. É cultura. A senhora ministra da Cultura certamente compensará tão antigo costume. Também era da tradição, em Portugal por exemplo, executar em público os condenados, bater nas mulheres, escravizar pessoas. Foi assim durante milénios. Ninguém via mal nenhum nisso a não ser, confusamente, com dúvidas, as próprias vítimas. Até que a piedade, na sua interpretação moderna e laica, acabou com tão veneráveis tradições. Que será preciso para acabar com a tradição da tourada?
Que sobressalto do coração será necessário para despertar em nós a piedade pelos animais?

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

"VIVA LA MUERTE"

Crónica de Manuel António Pina no JN



"Viva la muerte"

00h12m - Jornal de Notícias - 23 de Fevereiro de 2010

Só nos faltava esta: uma ministra da Cultura para quem divertir-se com o sofrimento e morte de animais é... cultura. Anote-se o seu nome, porque ele ficará nos anais das costas largas que a "cultura" tinha no século XXI em Portugal: Gabriela Canavilhas. É esse o nome que assina o ominoso despacho publicado ontem no DR criando uma "Secção de Tauromaquia" no Conselho Nacional de Cultura. Ninguém se espante se, a seguir, vier uma "Secção de Lutas de Cães" ou mesmo, quem sabe?, uma de "Mutilação Genital Feminina", outras respeitáveis tradições culturais que, como a tauromaquia, há que "dignificar". O património arquitectónico cai aos bocados? A ministra foi ali ao lado "dignificar" as touradas. O património arqueológico degrada-se? Chove nos museus, não há pessoal, visitantes ainda menos? O teatro, o cinema, a dança, morrem à míngua? Os jovens não lêem? As artes estiolam? A ministra foi aos touros e grita "olés" e pede orelhas e sangue no Campo Pequeno. Diz-se que Canavilhas toca piano. Provavelmente também fala Francês. E houve quem tenha julgado que isso basta para se ser ministro da Cultura...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Fernando Pessoa (Lisboa, 13 de junho de 1888 - Lisboa, 30 de novembro de 1935)

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas ese tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...


Fernando Pessoa
(Recebido pela Isabel Correia através do "Grupo Animais em Portugal")

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

MÁRIO CRESPO - IMAGINEM

Mário Crespo: Imaginem
Imaginem que todos os gestores públicos das setenta e sete empresas do Estado decidiam voluntariamente baixar os seus vencimentos e prémios em dez por cento. Imaginem que decidiam fazer isso independentemente dos resultados.
Se os resultados fossem bons as reduções contribuíam para a produtividade. Se fossem maus ajudavam em muito na recuperação. Imaginem que os gestores públicos optavam por carros dez por cento mais baratos e que reduziam as suas dotações de combustível em dez por cento.
Imaginem que as suas despesas de representação diminuíam dez por cento também. Que retiravam dez por cento ao que debitam regularmente nos cartões de crédito das empresas. Imaginem ainda que os carros pagos pelo Estado para funções do Estado tinham ESTADO escrito na porta. Imaginem que só eram usados em funções do Estado.
Imaginem que dispensavam dez por cento dos assessores e consultores e passavam a utilizar a prata da casa para o serviço público. Imaginem que gastavam dez por cento menos em pacotes de rescisão para quem trabalha e não se quer reformar. Imaginem que os gestores públicos do passado, que são os pensionistas milionários do presente, se inspiravam nisto e aceitavam uma redução de dez por cento nas suas pensões. Em todas as suas pensões. Eles acumulam várias. Não era nada de muito dramático. Ainda ficavam, todos, muito acima dos mil contos por mês.
Imaginem que o faziam, por ética ou por vergonha. Imaginem que o faziam por consciência. Imaginem o efeito que isto teria no défice das contas públicas. Imaginem os postos de trabalho que se mantinham e os que se criavam. Imaginem os lugares a aumentar nas faculdades, nas escolas, nas creches e nos lares. Imaginem este dinheiro a ser usado em tribunais para reduzir dez por cento o tempo de espera por uma sentença. Ou no posto de saúde para esperarmos menos dez por cento do tempo por uma consulta ou por uma operação às cataratas.
Imaginem remédios dez por cento mais baratos. Imaginem dentistas incluídos no serviço nacional de saúde. Imaginem a segurança que os municípios podiam comprar com esses dinheiros. Imaginem uma Polícia dez por cento mais bem paga, dez por cento mais bem equipada e mais motivada. Imaginem as pensões que se podiam actualizar. Imaginem todo esse dinheiro bem gerido. Imaginem IRC, IRS e IVA a descerem dez por cento também e a economia a soltar-se à velocidade de mais dez por cento em fábricas, lojas, ateliers, teatros, cinemas, estúdios, cafés, restaurantes e jardins.
Imaginem que o inédito acto de gestão de Fernando Pinto, da TAP, de baixar dez por cento as remunerações do seu Conselho de Administração nesta altura de crise na TAP, no país e no Mundo é seguido pelas outras setenta e sete empresas públicas em Portugal. Imaginem que a histórica decisão de Fernando Pinto de reduzir em dez por cento os prémios de gestão, independentemente dos resultados serem bons ou maus, é seguida pelas outras empresas públicas.
Imaginem que é seguida por aquelas que distribuem prémios quando dão prejuízo. Imaginem que país podíamos ser se o fizéssemos. Imaginem que país seremos se não o fizermos.

o llink: http://livresco.wordpress.com/2008/08/04/mario-crespo-imaginem/



Imaginem porque nem sequer é preciso muito para adivinhar...